E eles te avisaram, coração, em todos aqueles filmes e canções bobas. Você sabia, desde o princípio, como são essas coisas. Você sabia, inclusive, a exata sucessão de eventos que levava a esta ou a aquela encruzilhada no meio do caminho. Meio? Aquilo que chamamos, cegamente, de "meio", pois quando se anda tanto, é impossível contar os passos, e quando não se sabe pra onde ir, nunca se sabe onde é o fim da linha. Bem, sem palavras bonitas. Você sabia, de início, e ainda sim quis fechar os olhos e saltar, então não me venha agora com essas reclamações, com essas culpas, com essas lágrimas. Você não é uma bailarina? Se vira. Se veste, se perfuma, suspira e rola os olhos o quanto for, não vai adiantar. Você se cuidou muito tempo, não foi? Desaprendeu? Esqueceu que é duas mas é uma, e que essas feridas saram? Aliás, elas estão bem feias, hein? Acho que você podia medica-las. E olha só pra mim, falando falando e não dizendo nada.
Amor machuca. Mas a sua única culpa é que acredita demais. Bobinha. Até parece que nunca viu os filmes, nunca leu os livros, nunca ouviu as músicas...
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
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Adorei o tom cínico e pseudo-paternalista de Anita.
ResponderExcluirAnita parece ser a voz da experiência, aquela que sempre tem o pé atrás, a razão, o realismo. "Eu te disse"; "você sabia, mas mesmo assim arriscou". Frases que Anita facilmente diria com muita razão, sempre.
ResponderExcluirÉ demais, Cecília, adoro seus textos. Saber, nós sabemos, mas é possível evitar?