quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Como é perversa a juventude do meu coração.

Acontece que nem a dor, nem os percalços, nem o frio na barriga, por fim, nem nada, nada disso importa. Porque quando sento na minha cama, de pijama, banho recém-tomado, e lembro das coisas boas - por vezes leio um livro, vejo um filme, choro e olho fotos da minha família... tem dias em que até abro um vinho e tomo porres sozinha - nesse momento tudo parece exato, preciso, cada passo tendo sido contado. De repente eu não fico tão sozinha, porque fico com as milhares de Cecílias falando alto e ao mesmo tempo. Elas não são más pessoas. Elas são levemente malucas, mas ótimas pessoas de bom coração e vontade de fazer tudo certo. Aí nessa hora esqueço as opiniões controversas que certas pessoas tecem, maldosamente, sobre mim. Lembro só do Belchior que agora canta no som.
Acontece que a música que sai do som me lembra que meu defeito maior é minha paixão visceral pela vida, e isso confunde aquelas pessoas de vontade menor, de desejos menos intensos. Eu não as culpo. Culpo, talvez, minha criação de muita liberdade e muito amor, minha família toda feita de poesia e meus amigos que abraçam minha loucura (com moderação, claro). Sabe do que mais? A partir desse momento, vou parar de me importar. Minha única doença é ter uma alma de passarinho.

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